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sweet escape.
Created on 2008-02-12 23:40:05 (#14931960), last updated 2009-02-21
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| Name: | fbomfati |
|---|---|
| Birthdate: | 04-12 |
"Sempre admirei e invejei pessoas que sabem desenhar. Minha inabilidade pictório-espacial remonta ao jardim de infância e aos indefectíveis exercícios de pintar, colar, contornar, enfeitar e colorir. Sou do tipo que não consegue desenhar nem para salvar a vida. Suponho ser esse o motivo de eu sentir tão pouco diante de uma obra plástica e tão muito com livros e histórias bem contadas. Meu objetivo, portanto, é fazer da minha uma história bem contada.
Ressalve-se que eu não acho que estou conseguindo uma história bem contada aqui. Gastei um parágrafo só para me justificar. Eu devia me envergonhar de ser tão insegura. O certo seria contar a história e fim. Literal fim em três sentidos, identificáveis ao longo do que é para ser uma narrativa (não um desabafo). Isso se eu não ficar fazendo pausas para explicar que, além de não saber desenhar, também não cozinho, não sei andar de roller, não consigo tirar a cutícula sem fazer meu dedo jorrar sangue à lá Kill Bill, etc.
Antes de chateá-lo, leitor, e para deixá-lo a par do que está por vir (para que já feche o blog ou se comprometa a ir até o fim) explico que essa não é uma história alegre. Não que eu tenha uma vida desventurada como uma criança Baudelaire ou queira “atar as duas pontas da vida e restaurar na velhice a adolescência”, até porque sou filha única e jovem. Não sendo uma história alegre, pode haver quem questione minha pretensão de narrá-la. Calma, chego lá. E se a sua sensibilidade para uma bela história for maior que a minha para um Rembrandt, você chega comigo.
Meu nome é bem comum. Fernanda: três sílabas que não significam nada para maioria esmagadora da população, mas eu procuro não pensar a vida por esse prisma. É deprimente demais conhecer a sua própria desimportância.
Vou explicar minha vida de uma forma esquematicamente fácil de entender. Sou uma figurante. Olhos e cabelos castanhos, maxilar largo, boca grande. Talvez, quando sincero, um sorriso bonito. Baixa, séria, quieta. A garota que nunca matou uma aula, nunca foi mandada para fora de sala, nem tomou uma advertência. Membro honorário do Certinhos SA, subdivisão nerds, grupo dos míopes. Sou a figurante que odeia ficar perto dos protagonistas, reservando-se ao canto mais escuro da cena, para o qual ninguém olha. Tímida até o martelo, o estribo e a bigorna da orelha esquerda.
Havia quem me achasse arrogante, mimada, metida a sabe-tudo. Possivelmente até adjetivos piores, mas não gostava muito de conhecê-los, nem os adjetivos, nem quem os falava.
O fim do começo é concluir que eu posso ficar dias e dias escrevendo sobre mim. Eu posso mostrar textos, citações, poemas e trechos aqui, de modo a completar uma descrição, mas de que isso adiantaria para explicar quem eu sou se toda a minha vida foi construída através de mim e não daquilo que eu leio?
Vamos ao blog. Saber mais que isso não o tornará mais apto a entender o que passa na cabeça de uma aspirante a escritora. Concentre-se no fato de que eu sou Fernanda e não sei desenhar, por isso vou escrever. Apenas isso e nada mais."
Ressalve-se que eu não acho que estou conseguindo uma história bem contada aqui. Gastei um parágrafo só para me justificar. Eu devia me envergonhar de ser tão insegura. O certo seria contar a história e fim. Literal fim em três sentidos, identificáveis ao longo do que é para ser uma narrativa (não um desabafo). Isso se eu não ficar fazendo pausas para explicar que, além de não saber desenhar, também não cozinho, não sei andar de roller, não consigo tirar a cutícula sem fazer meu dedo jorrar sangue à lá Kill Bill, etc.
Antes de chateá-lo, leitor, e para deixá-lo a par do que está por vir (para que já feche o blog ou se comprometa a ir até o fim) explico que essa não é uma história alegre. Não que eu tenha uma vida desventurada como uma criança Baudelaire ou queira “atar as duas pontas da vida e restaurar na velhice a adolescência”, até porque sou filha única e jovem. Não sendo uma história alegre, pode haver quem questione minha pretensão de narrá-la. Calma, chego lá. E se a sua sensibilidade para uma bela história for maior que a minha para um Rembrandt, você chega comigo.
Meu nome é bem comum. Fernanda: três sílabas que não significam nada para maioria esmagadora da população, mas eu procuro não pensar a vida por esse prisma. É deprimente demais conhecer a sua própria desimportância.
Vou explicar minha vida de uma forma esquematicamente fácil de entender. Sou uma figurante. Olhos e cabelos castanhos, maxilar largo, boca grande. Talvez, quando sincero, um sorriso bonito. Baixa, séria, quieta. A garota que nunca matou uma aula, nunca foi mandada para fora de sala, nem tomou uma advertência. Membro honorário do Certinhos SA, subdivisão nerds, grupo dos míopes. Sou a figurante que odeia ficar perto dos protagonistas, reservando-se ao canto mais escuro da cena, para o qual ninguém olha. Tímida até o martelo, o estribo e a bigorna da orelha esquerda.
Havia quem me achasse arrogante, mimada, metida a sabe-tudo. Possivelmente até adjetivos piores, mas não gostava muito de conhecê-los, nem os adjetivos, nem quem os falava.
O fim do começo é concluir que eu posso ficar dias e dias escrevendo sobre mim. Eu posso mostrar textos, citações, poemas e trechos aqui, de modo a completar uma descrição, mas de que isso adiantaria para explicar quem eu sou se toda a minha vida foi construída através de mim e não daquilo que eu leio?
Vamos ao blog. Saber mais que isso não o tornará mais apto a entender o que passa na cabeça de uma aspirante a escritora. Concentre-se no fato de que eu sou Fernanda e não sei desenhar, por isso vou escrever. Apenas isso e nada mais."
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